Um dia na aldeia

Falar sobre povos indígenas


Todo dia 09 de agosto comemoramos o Dia Internacional dos Povos Indígenas.


ilustração por Mariana Zanetti em "A história do monstro Khátpy"

Sim, a data já passou, mas não podia deixar de trazer a importância do que é debater e preservar nossa cultura.


Em tempos em que discutimos com ainda mais urgência toda a necessidade de cuidar da nossa história através da ancestralidade de nossos povos indígenas (no final do post tem mais sobre política), também persiste a necessidade de entendermos o por quê da importância do "lugar de fala" desses grupos.


E bem motivada trouxe uma dica pra lá de preciosa: a coleção Um dia na aldeia.



Com seis títulos editados hoje pela SESI-SP, a coleção pensada pela diretora e escritora Rita Carelli nasceu da parceria entre a editora Cosac Naify e o projeto Vídeo nas aldeias, criado pelo antropólogo e documentarista Vincent Carelli na década de 80.


O projeto é incrível: traz a narrativa do cotidiano, tradições e língua de diferentes povos indígenas a partir de seu próprio olhar, onde os próprios índios se filmam, entrevistam e registram imagens, fortalecendo assim sua própria história e identidade. É para acabar de vez com certos estereótipos e trazer esse olhar contemporâneo.


Aqui você confere mais sobre esse projeto pioneiro e pra lá de premiado.


A coleção de livros é inspirada em alguns desses vídeos e traz um pouco mais sobre as aldeias Wajãpi, Kisedjê, Ikpeng, Txucarramãe, Ashaninka e Mbya-Guarani.


ilustração de Rita Carelli em "Das crianças Ikpeng para o mundo"

Adaptações feitas por Rita Carelli, Ana Carvalho e junto das ilustrações da própria Rita e de Mariana Zanetti se transformaram em belíssimas histórias pensadas para o público infantil. Coloridíssimas, envolventes e repletas de potência, caminham junto com textos bilíngues (siiiiiim) cada um no idioma de cada povo. Não é incrível?


trecho em "Das crianças Ikpeng para o mundo"

As letras em caixa alta ajudam a ampliar a possibilidade de leitores, pois facilita o acompanhamento da leitura!

Cada livro vem com um QR Code para ser explorado ainda mais - através deles conhecemos o vídeo no qual foi inspirado e conhecemos mais de perto os personagens dessas histórias.


É um passeio maravilhoso e riquíssimo que traz também valores que eu considero hoje um tanto perdidos: o olhar para o todo, para sua comunidade, conviver em harmonia com a natureza. Temos muito ainda o que aprender.



curiosidades e prêmios: a autora passou a sua infância com as mais diversas etnias indígenas em contato direto com os projetos realizados pelo seu pai, criador do Vídeo nas Aldeias. Um dos livros da coleção "A história de Akykysia: o dono da caça" é ganhador do prêmio White Ravens e do selo Altamente Recomendável da FNLIJ.


Um belíssimo material que com muito gosto foi reeditado e que torço muito para ser trabalhado e adotado em escolas e grupos de estudos. E mais: é para ter na biblioteca de casa, para todo mundo conhecer junto!



| para discutirmos um pouco mais...


Em nosso país, as discussões sobre a cultura dos mais diversos povos que temos e a preservação de seus costumes, terras e gerações não é novidade, é urgente, mas vêm tomando cada vez mais lugar nos âmbitos políticos - e sabemos a causa: um governo extremamente descuidado com as questões ambientais e sem nenhum tipo de planejamento e projeto que proteja essas comunidades indígenas e suas terras.


Descaso talvez seja a melhor palavra.


Vimos isso, inclusive, no despreparo das autoridades competentes ao cuidar da proliferação do covid-19 nas aldeias, levando o vírus no lugar de combatê-lo.


Essa semana li alguns debates (ainda) sobre a questão do uso da palavra tribo, para falar dos povos indígenas. Para alguns, novidade, para outros, questão superada. O termo já foi deixado de lado por antropólogos e especialistas há bastante tempo, pois foi empregado de maneira pejorativa ao trazer a ideia de povos fora de um padrão civilizatório - uma visão totalmente colonizante e etnocêntrica, né gente?


Sobre e para debates mais profundos a bibliografia é grande, mas ainda motivada por aqueles que devem e precisam contar a própria história eu indico as leituras de textos da Eliane Potiguara, Sonia Guajajara, Daniel Munduruku e Ailton Krenak.



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