Que cabelo é esse, Bela?


Cabelos. Eles são quase sempre o nosso cartão de visita, certo?

Seja ele liso, enrolado, crespo, colorido, curto com comprido... Nosso cabelo fala muito da nossa personalidade.

Ainda sim, o cabelo pode ser também um vilão para muita gente – isso porque se ele não segue algum padrão, tem logo alguém para criticar. Mas Simone Mota nos mostra nessa história que cabelo nunca é vilão, as pessoas é que o fazem ser.

Bela sempre gostou de brincar com seus amigos na chuva. Era uma festa só! Correr daqui e ali, pular nas poças e molhar uns e outros. Se chovia, a festa na vila estava feita. Mas um dia, seus amigos repararam: o cabelo de Bela brilhava na chuva! Bela tinha uma cabeleira e tanto, e quando chovia seus fios se transformavam em luz e puro brilho.

Todos queriam brilhar como ela... Mas só Bela parecia conseguir.

Mesmo com todo este poder, quase que mágico, quando estava caminhando pela rua ou saindo da escola e uma chuva começasse a cair, todos apontavam para Bela e zombavam de seu cabelo. Ela, não entendia. Por que falar daquele brilho? Por que ninguém gostava? Mas até as pessoas do salão perto de sua casa, quando avistavam Bela, vinham querer mudar aquela cabeleira.

Bela se sentia triste. Era quase todo dia a mesma implicância. Em uma tarde, conversando e chorando no colo da mãe, Bela descobriu que essa história também acontecera com sua tataravó, nos tempos da escravidão. E sua mãe lhe disse que ela, com conhecimento e incentivo, poderia mudar essa situação.

E você, acha que a Bela mudou?

POR QUE LÊ-LO?

A história de Bela é a história de muitas meninas por aí.

Até hoje o preconceito com os cabelos crespos limitam e magoam muitas meninas e meninos nas escolas, nas ruas e em todo lugar. Muitos sofrem com a padronização da beleza e dos estereótipos, mas o cabelo ainda é o grande “personagem” desta discriminação.

Eu, quando criança, tinha várias amigas que tinham cabelos crespos. Naquela época todas alisavam as madeixas e as deixavam ao que se considerava bonito: os cabelos lisos.

Hoje é muito bonito vermos que a força da cultura afro vem crescendo cada vez mais e se impondo, fazendo frente a estes estereótipos e preconceitos.

E importante é poder trabalhar com essas questões a partir da leitura de livros com as crianças. Temos alguns muito bacanas por aí! Este, em especial, traz ainda uma memória sobre o passado, sobre a ancestralidade, que nos remete à triste repetição histórica de certos preconceitos. Importantíssimo levar este tema para casa, para a escola, bibliotecas e todo canto.

A “consciência negra” é pensarmos e trabalharmos com essas histórias durante todos os dias, para afirmar cada vez mais que a diversidade é o que nos torna tão especiais.

De coração, dedico este livro e esta história à minha amiga Luana, que hoje brilha cada vez mais com sua cabeleira pelos palcos onde atua. A liberdade sempre ganha!

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