Minhas Rodinhas


Quem aí gosta de andar de bicicleta?

“Minhas Rodinhas” é um livro sobre liberdade!

O autor e ilustrador francês Sébastien Pelon trouxe os sentimentos de perseverança, coragem e autonomia em u

m livro criativo que fala muito sobre imaginação e independência para os pequenos, editado no Brasil pela Telos Editora.

O dia está cinza, nublado e bem sem graça. O menino “coelhinho” como sua mãe gosta de chamar, não aguenta mais ficar em casa e está um tanto entediado. Com um pequeno incentivo, ele dá uma olhadela lá fora e procura algo interessante a fazer. De repente, ele vê uma grande bola de pelos brancos, com um chapéu rosa na cabeça. No mínimo uma figura engraçada, pois vem montada em uma pequena bicicleta o tal monstrengo.

O menino, instigado, sobe na sua bicicleta com rodinhas e segue para uma aventura com o monstro.

Só que no caminho, o menino não consegue correr tanto, nem fazer muitas manobras.

O mostro um tanto exibido faz um monte de peripécias e o menininho decide:

"CANSEI! QUERO TIRAR MINHAS RODINHAS!"

Mas, quem disse que seria algo fácil?

Será que ele vai conseguir mesmo, ou é melhor esperar um pouco?

Eu adoro livros que trazem um cotidiano digamos, “comum”, aos olhos de tantos e criam uma bela história. Eu adoro andar de bicicleta e já cai várias e várias vezes. Hoje em dia, é algo banal – se caímos, levantamos e prosseguimos. Mas para as crianças, não é bem assim. Tirar as rodinhas da bicicleta é uma CONQUISTA! Cair, significa para muitos, falhar. Traz o medo, vergonha e a insegurança das quedas que vem pela frente. Mas quando encaramos aquela situação como algo normal, o desafio vai se tornando leve, com um aspecto de brincadeira.

E cair pode ser algo divertido, no final das contas!

Tenho certeza que esse livrinho vai – desculpem o trocadilho – ser uma mão na roda! Na rodinha, no caso!

Não só para o ENORME desafio de se andar de bicicleta, mas para muitas coisas também!

E aí? Prontos para a aventura?

Com ou sem rodinhas?

POR QUE LÊ-LO?

Pelon ilustra e escreve essa história de forma muito inspiradora. O livro possui dois momentos narrativos interessantes, que transformam a leitura. As páginas duplamente ilustradas, com pequenos diálogos, trazem uma leitura bem contemplativa das ilustrações.

O autor cria diálogos de destaque com balões amarelos, para evidenciar a fala do personagem que não está ali – um belo momento para imaginarmos como seria a mãe do menino.

Quando a aventura começa, vemos uma narrativa intercalada em pequenos momentos em frames, quase que como se estivéssemos lendo uma história em quadrinho, o que insere na leitura dos pequenos um momento maior de atenção, para perseguir a cronologia das ações. Intercalar essa narratologia é um respiro para o pequeno leitor, que ainda se acostuma com as diferentes formas de apresentação das histórias.

Um outro aspecto maravilhoso do livro é a imaginação: o monstrengo para mim, é a vontade do menino.

Ela, já autônoma, anda de bicicleta livremente e faz várias coisas que ele quer fazer. Mas ainda não consegue.

E com esse incentivo, tão fofinho convenhamos, a vontade vira coragem e ele vai se superando a cada pedalada!

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