• Ana Claudia

A velha história do peixinho que morreu afogado


Como pode o peixe-vivo?

Marília Pirillo dá nova vida a conto popular ao lado de Guazelli em A Velha História do Peixinho que morreu afogado, pela Edições de Janeiro. Um presente à memória de Lobato, e seu primeiro conto infantil.

O livro foi editado em 2014. Título curioso, não é mesmo? Lembrei dele estes dias, quando pensava na vida e na correria de hoje onde o tempo, personagem absoluto, não dá trégua. A história conta a vida de um homem sério, engravatado, que um dia decide sair da rotina para ir pescar. Ele atravessa a grande avenida de sempre, por entre os carros e arranha-céus da cidade grande até o rio que beira este cenário e ali, na margem, afrouxa a gravata e deita sobre um velho jornal.

Pescaria é oposto da cidade grande. Pretende calma, paciência, e a espera do tempo do outro. E ali, o homem esperou até o momento em que a vara deu seu manifesto, e preso no anzol aparecia um pequeno peixinho. Miúdo, bem pequenino, tão frágil parecia. Como poderia daquele rio, natimorto, surgir uma vida delicada?

Surgira uma amizade! O homem não mais parecia rabugento, via alegria. E o peixinho ganhara um companheiro. Por um tempo, na verdade. Quando se deu conta que seu amigo, que o deixava tão feliz, podia estar longe de quem o amava, o homem se deu conta que precisava devolvê-lo logo ao rio. Mas... como podia um peixe-vivo, viver fora d'água fria?

É, essa música remete muito do que acontece com o peixinho. Mas, vou deixar vocês mesmos conhecerem a história - se é que já não a conhecem.

A edição do livro é brilhante, com as lindas ilustrações de Guazelli e um jogo de cores extremamente interpretativas. Uma sensação de melancolia trazida pelos tons de cinza e roxo, que ganham vida nos toques de dourado.

Capricho puro por Raquel Matisushita, que trouxe mais encanto à história adaptada de Pirillo.

Disponível na TRAVESSA

POR QUE LÊ-LO?

A história do peixinho já faz parte de um imaginário popular. Conto antigo, ouvido de várias formas por gerações, em contos de boca-boca, pode ter sido editado pela primeira vez por Monteiro Lobato, no livro "A barca de Gleyre". Pirillo, lembra da história vinda através de outro nome da literatura: Mario Quintana.

O conto "A Velha história", fora publicada no livro "Sapato Florido".

A solidão do homem e o encontro com o peixinho lhe são comuns. E para tanto, Marilia Pirillo trouxe os significados do conto para nossos dias. A amizade entre personagens de mundos tão diferentes, a empatia. A pausa no tempo, olhar pra dentro... Ironia pura, tão reflexiva sobre nosso cotidiano, o conto vive e revive mais uma vez!

Em uma entrevista muito gostosa, feita pelo blog Garimpo Miúdo, Pirillo comenta sobre a descoberta da história, sua adaptação e projeto junto a Guazelli.

Imperdível!

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