O Touro Ferdinando


... para aqueles que já se sentiram diferentes do todo! Quem nunca, não é mesmo?

O Touro Ferdinando já virou um clássico de gerações e gerações. Hoje, ele tem sua versão animada para o cinema pela Twentieth Century Fox – já foi uma adaptação da Disney para as telinhas faz alguns anos – e é sempre legal conhecermos a origem dessa história. Pelas mãos de Munro Leaf e Robert Lawson, o clássico ganha sua versão brasileira editada pela Intrínseca.

Ferdinando é um touro diferente. Ele não gosta de ser feroz nem se aventurar muito por aí. Não gosta de briga, não fica com raiva e odeia dar cabeçada nos outros touros. Desde pequeno, ainda um bezerrinho que ele gosta mesmo é de sentar embaixo de uma árvore e cheirar flores.

Ninguém entendia muito bem, por que Ferdinando ficava ali, sozinho, vendo a vida passar. Será que se sentira abandonado? Bem... Assim era Ferdinando. Não importasse o que os outros falassem por aí, Ferdinando não era um touro convencional. Só que um dia, ao sentar em uma abelha, Ferdinando conheceu a raiva, tamanha foi a dor de sua picada. Será que finalmente Ferdinando teria ficado um touro bravo e feroz?

O história tem lá o seu deslize – como não li o original não tenho como afirmar se seria o caso de se adaptar a tradução, mas creio que não. Em uma parte lemos “E assim ela entendeu que Ferdinando não se sentia sozinho. Por ser uma mãe compreensiva, mesmo sendo uma vaca, deixou que ele ficasse ali, quietinho e feliz”

Pois é, esse mesmo sendo uma vaca deixa transparecer uma menção ofensiva à mãe, mesmo que a intensão tenha sido pela ironia. Ainda que contextualizando o texto em seu tempo, irônico mesmo é um livro trazer uma mensagem importante sobre a imagem que temos do outro ao mesmo tempo que brinca com estereótipos. Mas, fazer o que... Importante é que a mensagem principal compensa muito, pelo ode à liberdade individual.

POR QUE LÊ-LO?

A minha história com Ferdinando, o Touro, já vai longe. Eu era bem pequeninha e via uns desenhos que minha mãe colocava na TV. Na época, assistíamos à tudo nas fitas VHS, e era muito legal ter o poder de ir e voltar um filme ou desenho que, no cinema, você não podia... – é, não ria de mim eu sei que hoje controlamos tudo a todo momento, mas naquela época era muito legal.

O touro Ferdinando para mim, era o desenho que eu não conseguia ver. Eu passava correndo por ele até chegar em um próximo desenho, porque aquele tourinho era muito triste para mim, muito solitário. E me doía muito vê-lo ali, em meio as flores e nada mais com todo mundo judiando dele. Mas minha mãe me incentivou e um dia eu tomei coragem e assisti, junto do meu irmão, ao bravo Touro Ferdinando!

Hoje, temos mais senso crítico ao ler o livro, sabemos que as touradas são proibidas, que julgar o próximo pelo que não se faz é ruim e que, criar estereótipos é a pior coisa que podemos fazer. Mas essas atitudes ainda acontecem e livrinhos assim são bons para abrir os olhos, cada vez mais cedo, para a beleza que existe nas diferenças!

Para as crianças temas assim acabam sendo mais simpáticos quando surgem com animais como personagens. As ações e expressões tanto de Ferdinando quanto dos outros touros são bem expressivas e, mesmo com a ausência de cor, os traços de Robert Lawson são poderosos! Munro Leaf escreve uma história sensível e cheia de lirismos.

A edição vem caprichada em capa-dura, para brilhar mais para as próximas gerações.


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