Uma noite na praia


Sim, Elena Ferrante para crianças! Ela, uma escritora italiana de muito sucesso nos últimos tempos, com escrita sempre muito envolvente e o tema... profundo!

“Uma noite na praia”, editado pela Intrínseca, é um livro em separado de todos os outros de ficção estrangeira da autora mas que, mesmo assim, guarda sua relação com um deles. Na praia, a criança perde sua boneca e vai embora, e nesse livro em especial somos levados a passar uma noite muito misteriosa, cheia de perigos e ameaças, ao lado desta linda bonequinha chamada Celina.

“O sol se pôs, o céu está cor-de-rosa. Um Salva-Vidas se aproxima, e eu não gosto dele. Ele fecha os guarda-sóis e as cadeiras. O bigode dele se mexe em cima da boca feito rabo de lagartixa. Então eu o reconheço. É o Salva-Vidas Malvado da noite. Mati tem muito medo dele. Ele chega na praia quando já está escuro e rouba os brinquedos das crianças. O Salva-Vidas é muito alto. Ele chama o amigo, o Grande Garfo, que e ainda mais alto, e os dois começam a pentear a areia (...)”

O livro tem sim um clima mais sombrio e de certa forma pesado. Trabalha com alguns medos infantis mais comuns como a perda e o abandono, trabalha bem a ideia de laços maternos – muito bem representados pela boneca e sua “mãe”, Mati. Tem muita riqueza de significado em relação a importância das palavras e o peso que essas carregam.

Celina é uma boneca que pode falar e as palavras que aprendeu foram todas aquelas que sua dona, Mati, a ensinou. Sua palavra mais preciosa é seu nome e ela deve fazer de tudo para que o Salva-Vidas Malvado e seu companheiro não roubem aquilo que ela tem de mais significativo!

A força dada ao diálogo e ao papel das palavras é para mim o ponto alto do livro que junto das ilustrações de Mara Cerri, nos envolvem em um enredo sensível e poderoso.

PORQUE LÊ-LO:

De início devo confessar que fiquei bem apreensiva com o livro. Elena Ferrante tem uma escrita mais densa e me surpreendi de ver um livro infantil escrito por ela. Parecia ao primeiro momento um “thriller infantil” e as ilustrações de Mara Cerri são sempre carregadas de muita emoção e expressão. A ideia da valorização das palavras e a importância que Ferrante dá ao diálogo ou a comunicação é muito sensível.

Assim que comecei a ler não consegui parar – como fazemos como um thriller mesmo – e a empatia pelo livro foi imediata. Isso porque não teve como não lembrar de Toy Story, uma histórica animação da PIxar, onde os brinquedos têm vida, passam por aventuras e devem lidar com a fatídica realidade de serem “trocados” uns pelos outros ou até mesmo esquecidos.

Como a animação foi algo que marcou muito a minha infância, este livro me fez voltar a esses antigos sentimentos em relação aos meus brinquedos e tudo mais. Por isso quis trazer essa indicação para o Livreirinha. Acredito que seja um livro que vá prender a atenção dos pequenos até a última página – que por sinal é surpreendente – e pode render bons papos sobre a relação deles com seus brinquedos preferidos!

Aposto que, como eu um dia, eles já esperaram ali no escurinho, enquanto fingiam dormir, que um de seus bonecos se mexesse e passeasse por aí.

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